Agradeceu ao Monteiro, sabedor que ainda convalesce de duas cirurgias nos rins, tanto que ontem, teve de sentar-se ao ministrar a palestra. Mas parece que a empolgação de estar no 21 GAC, o berço aonde o então Capitão Correia Lima servia e fundou o CPOR do Rio de Janeiro em 1927, o fizeram se esquecer de sua condição e foi de pé até o final.

 

 

 


O Tenente R/2 de Artilharia Sergio Pinto Monteiro é bastante conhecido por uma série de palestras que faz pelo Brasil.

Ontem, 27 de novembro, por exemplo, palestrou no CPOR do Rio de Janeiro para os Alunos, como faz anualmente.

CPOR/RJ homenageia AORE/RJ

 

Hoje, uma terça chuvosa de 28 de novembro, a convite do Tenente Coronel de Artilharia Frederico Sawaf Batouli, Comandante do 21º Grupo de Artilharia de Campanha, ele palestrou lá para os Oficiais e Sargentos.

Fomos eu, ele e o Desembargador Egas, Tenente de Artilharia, uma turma na minha frente. E fomos tratados como príncipes...

Sei que já disse isso antes, com o General Villas Bôas nos recebendo em Brasília, General Pereira Gomes no CMP e outros tantos...

Mas foi assim hoje, com o Comandante e Subcomandante (TC Pimentel) nos recebendo na porta do magnífico Centro de Convenções e após a palestra e suas palavras elogiosas ao palestrante, nos levou e aos seus comandados a almoçar no Hotel de Trânsito que, da janela do restaurante, via-se o Pão de Açúcar encoberto pela nuvem baixa do dia chuvoso, mas sempre uma belíssima vista de cartão postal.

Mas vamos à palestra? No horário marcado, o Ten Marcelo anunciou a entrada do TC Batouli, Comandante do 21 GAC, TC Pimentel, Subcomandante e do Tenente Monteiro acompanhado do Desembargador Egas e eu, Tenente Mergulhão.

Antes que o Tenente Marcelo lesse o currículo do palestrante, o Comandante fez questão de nos dar as boas vindas  e dizer que já tinha ouvido falar nessas palestras e estava feliz em poder finalmente assisti-la.

Agradeceu ao Monteiro, sabedor que ainda convalesce de duas cirurgias nos rins, tanto que ontem, teve de sentar-se ao ministrar a palestra.

Mas parece que a empolgação de estar no 21 GAC, o berço aonde o então Capitão Correia Lima servia e fundou o CPOR do Rio de Janeiro em 1927, o fizeram se esquecer de sua condição e foi de pé até o final.

Monteiro, como o maior especialista do país no assunto, falou sobre a participação da reserva na II Guerra Mundial.

O problema foi observado na Primeira Guerra, de 1914 a 1918, quando milhões de reservistas foram convocados e não havia o comandante da fração de tropa, o Tenente.

Muitos Sargentos foram promovidos para atender a essa necessida3e, o que não satisfazia pela formação diferente.

Em 1939, portanto um ano após o término daquela sangrenta guerra, os Estados Unidos criaram o US ARMY ROTC (Reserve Officers Training Corps), o CPOR deles.

O Capitão Correia Lima, desde 1920 tentava a mesma coisa no Brasil o que só foi conseguido em abril de 1927, no hoje 21º GAC que na ocasião funcionava em São Cristóvão.

No ano seguinte, o CPOR do Rio de janeiro mudou-se para a Quinta, onde hoje funciona o Museu Militar Conde de Linhares, até 1968 quando mudou-se para o Quartel do hoje I Batalhão de Guardas na mesma rua, e, em 1998, para a favela da Maré aonde encontra-se atualmente.

O ROTC americano é completamente diferente do nosso OFOR (CPOR e NPOR) pois lá o Cadete serve por 3 anos em sua própria Universidade e pode seguir carreira.

Um exemplo e mostrou a foto de um Cadete do 3º ano de um ROTC bem conhecido, pois se tornaria o General de 4 estrela Collin Powell que comandou as tropas na Guerra do Golfo e chegou a Secretário de Estado, o equivalente aqui a Ministro.

Sobre Correia Lima, falou que infelizmente ele não chegou a ver o resultado de sua obra, pois, comandando uma subunidade no Paraná, foi covardemente assassinado em seu QG com um tiro nas costas durante a revolução de 1930.

Mostrou os afundamentos que fizeram o Brasil declarar guerra à Alemanha e Itália (e não ao Eixo como muitos historiadores erradamente mencionam), mostrou o número de oficiais subalternos da ativa e R/2, e, dos 12 Tenentes mortos em combate, metade, 6, eram R/2.

Dos Tenentes na Guerra, 508 eram da ativa e 562 da reserva, sendo 129 R/1 e 433 R/2, mostrando o acerto e visão de Correia Lima.

Falou dos CPOR da FAB criados em 41 e encerrados em 1948. Mostrou o afundamento do submarino alemão U-199 pelo Tenente Torres, R/2 da FAB pilotando o Catalina ARARÁ.

Mostrou depois, o 1º Grupo de Aviação de Caça na Itália, composto de 36 pilotos da ativa e 13 Oficiais R/2... e destes, mais uma vez o Tenente R/2 Alberto Torres novamente se destacou sendo o brasileiro que mais missões cumpriu, num total de 100.

E terminou mostrando revistas e jornais que mostravam “o maior herói da FEB” ou o “Tigre de Coração Manso” e ainda uma revista Manchete com a matéria “o Resgate do Tenente Apollo”.

E então falou do então Tenente R/2 Apollo Miguel Rezk, oriundo do CPOR/RJ, e o mais condecorado herói da Guerra, pois, além das 4 medalhas brasileiras, recebeu a Silver Star e, posteriormente, por ter resistido ferido na posição em La Serra, recebeu do Presidente americano a DISTINGUICHED-SERVICES CROSS (Cruz por Serviços Notáveis), concedida por extrema bravura em combate.

Ele foi o único brasileiro a recebê-la.

Para terminar, em suas conclusões, mostrou um filme da inauguração da sede da AORE no CPOR/RJ, aonde um Major Apollo, já cego por uma retinopatia diabética, em sua cadeira de rodas, muito aplaudido que termina o filme, com o dedo, enxugando uma teimosa lágrima.

Sua última lágrima, pois morreu dois meses depois, em janeiro de 1999.

Muito aplaudido, Monteiro recebeu um certificado das mãos do Ten Cel Batouli que voltou a elogiar dizendo que já ouvira referências a estas palestras, mas não imaginava o nível tão alto.

O Ten Monteiro entregou ao Comandante e ao Sub dois medalhões comemorativos do XIX ENOREX e eu entreguei aos dois, TC Batouli e TC Pimentel, o livro de minha autoria MAJOR APOLLO, O HERÓI ESQUECIDO que pode ser encontrado na Internet no Clube de Autores.

Depois, o Comandante nos convidou a acompanhar sua oficialidade em um almoço servido no restaurante do belíssimo Hotel de Trânsito situado na Praia do Imbuhy.  

 

 


 

Joomlashack