ORDEM DO DIA

 

SETE ANOS DA INSTALAÇÃO DO CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS DE HISTÓRIA MILITAR DO EXÉRCITO

Quanto mais o vetusto deus Cronos, o Senhor do Tempo, cobra de cada um de nós o seu inescapável tributo, mais nos atormenta a sensação de que o rio do tempo flui aceleradamente, de que os anos e os segundos estão cada vez mais curtos.

Pura ilusão. Simplesmente, cada vez que ficamos mais experientes, um dia ou um ano representa um percentual menor do patrimônio de memórias e lembranças que já tínhamos acumulados. Então, afigura-se nos espíritos dos calejados militares que compõem a maioria desta Casa, que apenas uma semana transcorreu desde a sua criação, em 2010.

Foi naquele ano que o descortino do então Diretor do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército, General Juarez, fê-lo perceber a necessidade de uma estrutura, vinculada à DPHCEx, que trabalhasse o patrimônio imaterial da Força Terrestre.

Que tivesse vocação e gabarito para abissalmente mergulhar na pesquisa da História, com base e conhecimento, com acuidade e capacidade de uso das novas tecnologias. E essa pesquisa é uma ação tão importante em tempos em que uma parte da intelectualidade brasileira ainda guarda ranços de décadas pretéritas!

Vislumbrou-se uma organização que, primando pela qualidade, fosse uma ponte para o meio acadêmico, para as escolas civis superiores, para os cursos e as pessoas das pós-graduações.

Foi sentida a necessidade de constituir-se um grupo de pesquisadores que ajudasse o Exército a conhecer suas próprias raízes. Só se ama o que se conhece, e é preciso que os militares conheçam seu Exército.

Que se constituísse enfim, num “polo irradiador” do conhecimento e do entusiasmo pela História da nossa casa comum, o tricentenário Exército Brasileiro.

Para atender tão ambicioso escopo, foi criado 31 de agosto e instalado a 30 de novembro de 2010 o CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS DE HISTÓRIA MILITAR DO EXÉRCITO, o CEPHiMEx.

Sete anos correram, lépidos e quase desapercebidos, como diáfanas ninfas nos bosques gregos, que eram sentidas e não vistas. Mas fazendo uma racional compilação, descobrimos, sim, que muito foi feito nesses sete segundos de Cronos, desde 2010.

Aqui, nestas tradicionais e surpreendentemente belas edificações, o reduzido grupo fez acontecer sete “Jornadas de Estudos de História Militar”, cada ano com um tema, com luminosa uma constelação de palestrantes e com diversificada assistência.

O Centro organizou seis dos eventos denominados “Seminário de História da Guerra da Tríplice Aliança”, sendo quatro sob este teto, um em Campo Grande e um em Porto Alegre.

Montou, também por seis vezes, o “Seminário Nacional sobre a Participação do Brasil na II Guerra Mundial”, o SENAB, sendo cinco edições em cidades do Brasil e uma edição na Itália.

Aqui foram conduzidas dezenas de palestras, abertas ao público, nos projetos “Ciclo de Palestras de História Militar” e “De olhos e ouvidos na História”.

O CEPHiMEx sediou ao longo de três anos o Curso “Multimídia e Modelagem também fazem História”, uma rara e gratuita oportunidade para o aprendizado da arte da modelagem matemática em computador. Presente do Pesquisador Associado Professor Guilherme Pereira.

Recebeu em suas magníficas instalações o lançamento de inúmeras obras literárias da BIBLIEx.

Numa simbiótica troca de esforços, em parceria com a UERJ, conduziu duas edições do curso de pós-graduação “Atualização em História Militar e Política Brasileira.”

Em parceria com a UniRio e o IGHMB, está conduzindo o curso “Pós-Graduação em História Militar – Latu Sensu”, o qual já vive sua oitava turma.

Os pesquisadores desta casa também marcaram presença dentro e fora da Força por meio de um sem-número de alocuções ministradas, trabalhos acadêmicos apresentados e cursos aplicados em universidades, na ESG, na ECEME, na ESAO, no COTER, na ADESG, no IGHMB e outras entidades. Desde a China até o Chile, integrantes do Centro falaram em seu nome em outras partes do mundo. Sempre mantendo na mente que quem se apresenta não é o Subtenente. o Coronel ou o General: é o Exército, é o é o DECEx, é a DPHCEX, é o CEPHIMEX, que está mostrando cultura militar, seja na UFRJ, seja em Manaus, seja em Lisboa.

Desse trabalho, floresceu um cada dia maior número de pessoas que se interessam, procuram e trabalham a História Militar. Números que se traduzem pela busca de cursos com foco neste fascinante tema, a História Militar.

Aliás, na complexa biodiversidade das ideias, ocasionalmente viceja o limitante conceito de que esta aproximação, muitas vezes espinhosa, com o meio acadêmico, universitário, não tem importância para as Forças Armadas. Mesmo que olvidemos que é nossa missão “irradiar a cultura militar,” há uma razão eminentemente prática. Não podemos fugir da realidade que são os universitários de hoje os juízes e deputados, empresários e professores de nossos filhos, médicos e antropólogos de amanhã. E tais pessoas estarão trabalhando e mesmo decidindo sobre assuntos de primordial interesse ao nosso centenário Exército. É vital, portanto, que o conheçam.

Ainda há a missão de preservação dos antigos Projetos de História Oral do Exército. Por eles, as vozes e os olhares de homens e mulheres que participaram, que viveram e sentiram em suas peles a II Guerra Mundial, as Operações de Paz sob a égide da ONU, as transformações que o Exército passou, erguem, tijolo a tijolo, um monumental registro do desenrolar da História de nossos dias. No futuro, quando Clio, a musa da História, inspirar os netos de nossos bisnetos às dores e prazeres da pesquisa histórica, estas vozes e olhares testemunharão de forma inequívoca o que foi a transição do século XX para o XXI – isto é História Oral.

O CEPHiMEx ainda coordenou e criou conteúdo para oito números especiais da Revista do Exército Brasileiro (REB), editada pela Biblioteca do Exército

Este Centro absorveu quase todos os encargos do extinto Centro de Documentação do Exército. Nesta ciclópica missão, uma reduzida equipe especializada estuda e propõe a aprovação pelo Exército de objetos materiais e imateriais da cultura militar, à luz dos regulamentos, leis e mesmo convenções internacionais. São inúmeras as demandas para correção e adoção de distintivos, símbolos, insígnias, bandeiras, flâmulas, escudos, denominações históricas, hinos, canções e refrãos. E cada solicitação traz em suas palavras, tintas e notas musicais, uma expectativa jubilosa de companheiros de algum rincão do Brasil. Assim, cada proposta é alvo de minuciosa, trabalhosa e altamente técnica análise. Até aqui, aquelas cinco pessoas finalizaram cerca de 400 processos.

Este Centro, além de contar com os esforços de militares, coordena o inestimável apoio de um Corpo de Pesquisadores Associados - CPA. Trata-se um grupo seleto de estudiosos, que expressam sua afeição pelo Exército disponibilizando seu conhecimento especializado e, principalmente, seu tempo. Inúmeras pesquisas e trabalhos só puderam ser concluídos, ou puderam atingir o padrão de qualidade desejado, graças ao CPA. E a remuneração destes homens e mulheres nada mais é do que a satisfação de servir, genuína característica das pessoas de bem.

Sete anos de idade para nós, complicados primatas pensantes que somos, é a maturidade da infância, quando o raciocínio abstrato aparece e descobrimos que fadas não existem. Para o CEPHiMEx, o sétimo ano é o momento de intensificar o trabalho de auto aprimoramento, de lutar para melhorar as estruturas, recursos e qualificação do pessoal. Muito precisamos crescer para atender a titânica missão para a qual este Centro foi gestado. 

Sabemos que os homens e mulheres de uma Força Terrestre eficaz têm que apresentar habilidades e competências pessoais, táticas e operativas. O combatente precisa bem atirar e bem manobrar, bem correr e bem empregar seu equipamento, comandar e obedecer, lutar e vencer. São coisas claras, palpáveis e materiais.

Mas... o que move o combatente? O que o leva a correr e atirar? São suas crenças! São seus valores! São os sentimentos de que tem um inescapável compromisso com sua Pátria e sua gente. São coisas impalpáveis e imateriais que germinam e se incendeiam em seu coração e sua mente.

Então, o CEPHiMEx e os outros instrumentos da DPHCEx, ao fomentar o reconhecimento e o culto dos feitos e dos patronos, ao levar para brasileiros o verdadeiro conhecimento de nosso passado, ao alicerçar solidamente o amor por nossas tradições e valores, estão contribuindo, sim e indubitavelmente, para a operacionalidade de nosso amado Exército Brasileiro.

 

Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 2017

 

Francisco José Mineiro Junior, Cel PTTC

 

 

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