Depois da foto oficial e do intervalo do café, o Ten Monteiro anunciou o General Bergo como o palestrante seguinte.

 

Mineiro de Juiz de Fora, o General de Brigada R/1 Marcio Tadeu Bettega Bergo cursou o Colégio Militar em Curitiba e é Aspirante da AMAN da turma de 1974.

 

 

Possui cursos da carreira militar até o mais alto nível, de Política e Estratégia. É titulado Mestre em Operações Militares e Doutor em Ciências Militares. Também realizou o Curso de Gerenciamento de Defesa, na Marinha dos EUA.

 

Na vida civil, é bacharel em Administração de Empresas e em Ciências Contábeis. É pós-graduado em Gestão e Planejamento Estratégico pela FGV.

 

Com diversos trabalhos acadêmicos publicados, ministra aulas em instituições de ensino e profere palestras em seminários e painéis sobre os temas “Logística”, “Estratégia”, “Desenvolvimento Nacional”, “História Militar”, “Guerras, Conflitos e crises” e “Ética e Valores”.

 

É autor de:

 

- “O Pensamento Estratégico e o Desenvolvimento Nacional (uma Proposta de Projeto para o Brasil)", 2008.

 

- “Explicando a Guerra – Polemologia: o estudo dos conflitos, das crises e das guerras”, 2013.

 

É da Diretoria de Patrimônio Histórico e Cultural do Exército (cujo Diretor atual é o General Stoffel) onde dirige o Centro de Estudos e Pesquisas de História Militar do Exército (CEPHIMEx), situado no Palacete Laguna (Maracanã).

 

 

E é meu Chefe, já que sou Pesquisador Associado do CEPHIMEx.

 

Pela introdução, é fácil o notar que o General Bergo é dono de vasta cultura, tem muitos artigos importantes publicados na Revista da ADESG e colocar aqui nestas mal traçadas, a sua maravilhosa palestra onde traçou um retrato fiel da crise que assola o país, principalmente de Valores Éticos e Morais, é tarefa impossível.

 

Portanto, como Editor, Repórter ou Redator-Chefe, ou o que mais desejarem, só posso sugerir (com as melhores das intenções) que, quem perdeu esta palestra, que sente-se no chão e chore. E não foi por falta de avisos nem convites, pois o Tenente Monteiro, Presidente do Sistema CNOR, convidou por todos os meios e Redes Sociais, todos os militares que quisessem, independentemente de estarem ou não inscritos no CAOR já que, pelo nível dos três palestrantes, adivinhávamos que seria um show.

 

 

 

A guisa de Introdução (todo militar inicia qualquer apresentação com a INTRODUÇÃO ou SUMÁRIO), informou:

  • Grandeza e robustez das instituições – Fundamentos
  • Nação, Pátria, Estado: anseios de uma sociedade. Busca de felicidade e bem-estar.
  • Forças (Expressões de Poder):
    • Políticas
    • Psicosociais
    • Militares
    • Econômicas
    • Científico-tecnológicas.
  • Nossa instituição maior chama-se BRASIL. E nós a queremos grande, justa e coesa.

Como grande historiador que é, começou falando das Entradas e Bandeiras, responsáveis pelo vasto território que temos.

As criações dos Fortes portugueses protegendo nossas fronteiras oeste, como os Fortes São Joaquim (Cabeça do Cachorro), Forte São José Marabitanas, Forte São Gabriel, Forte Tabatinga, Forte Príncipe da Beira, Forte Coimbra, Forte Iguatemi, no sul, Forte Jesus, Maria e José, e, no norte, Forte Macapá e tantos outros no litoral.

Ainda discorreu sobre nossa herança valiosa, desde o Descobrimento, Guararapes, a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai e até a 2ª Guerra Mundial onde fomos lutar por liberdade e democracia (que na época não tínhamos no Brasil, na Ditadura Vargas).

No Brasil que queremos, falou da felicidade do poeta Joaquim Osório Duque Estrada nos versos do nosso Hino Nacional:

“Gigante pela própria natureza, és belo, impávido colosso.
E o teu futuro espelha essa grandeza.”

Outro poeta que aponta a direção com os versos: “Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil...”

Então, mostrando fotos de favelas incrustadas nas grandes cidades, como Rio ou São Paulo, perguntou, qual o Brasil que queremos?

 

 

Todos queremos democracia, integração nacional, integridade do patrimônio nacional, paz social, progresso, soberania, harmonia internacional e bem-estar geral.

Impossível alcançar tudo isso sem um PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO já dizia John Gats nos EUA em 1872. Só que os americanos fizeram (escolas) e vejam onde estão, comparados com toda a América Latina?

 

 

 

Com o Planejamento Estratégico podemos dizer que ações tomar no presente para alterar o futuro.

Apenas o futuro, podemos mudar. O passado já se foi e o presente acaba quando chega. Com a exploração de cenários possíveis, a delimitação de futuros plausíveis poderemos fazer a escolha de futuros desejáveis.

“O cenário serve para organizar a incerteza em um número limitado de opções, e possibilitar ao planejador avaliar as decisões, apear do alto grau de incertezas envolvido”.

Mostrou diversos índices como IPS (índice de Progressão Social), PIB per capita, IDH (índice de Desenvolvimento Humano), FIB (Felicidade Interna Bruta), e IVM (Ìndice de Vida Melhor), para fazer um diagnóstico nas tentativas de quantificar o bem estar, com dados de 2014.

Mostrou uma manchete de O GLOBO de 28 MAR 2015 que dizia: “Este ano, Índia deverá ultrapassar o Brasil”. Com recessão e dólar caro, PIB brasileiro cairá par a 8ª posição entre maiores.

 

 

Aqui, me permito abrir um parênteses, já que o povo tem memória curta. Sabe, leitora e leitor, quem mudou o Brasil da 42ª posição para a 8ª??? Justamente o Governo Militar, hoje, como moda, tão criticado. Nota do Editor. 

 

 

 

 

 

Explicou que para crescer, um país tem de INVESTIR. Mostrou um gráfico dos países em rápida expansão econômica, China, Índia, Indonésia e Coréia do Sul, e o Brasil não está entre eles porque não investe.

A participação brasileira no mercado mundial, pouco mudou dos 1,94% em 1950 para os 1,34% em 2011, passando pelos horríveis 0,87% em 2000.

E o pior!!!! De 2003 a 2013, a exportação de manufaturados caiu de 54,3% para 38,4% o que significa que aumentamos a exportação de matérias primas. Ou seja, vendemos minério de ferro para comprar trilhos de trem dos chineses...

Em português claro, vendemos nossas riquezas (matérias primas) a preço de banana e recompramos caro com valor agregado os manufaturados (Nota do Editor)

O que vemos hoje é uma invasão de etiquetas MADE IN CHINA.

 

 

Mostrou, ainda usando fontes dos jornais, que em 2012 a distribuição de renda melhorara mas o país ainda era o 12º desigual. Em uma década, naquele ano, 21,8 milhões de brasileiros deixaram a pobreza.

Mesmo assim, caía: o país, naquele ano, passou da décima posição em entre os piores na distribuição de renda em 2001 para a 12ª posição, dez anos depois, conforme estudo divulgado pelo IPEA.

 

 

E as manchetes negativas não pararam por aí (e nem quero pensar neste ano de crise, Nota do Editor) como mostrou a EXAME: Brasil cai 8 posições em ranking de produtividade (2013-2014).

 

 

O GLOBO em maio de 2015 dizia: “Pelo 5º ano, país cai no ranking de competitividade”.  Brasil ficou em 56º lugar entre 61 países, pior resultado da história. No item que inclui corrupção, foi o último!

 

 

 

 A situação então das obras inacabadas em aeroportos e as tais obras de mobilidade, nem se fala. E algumas (para a Copa do Mundo) ainda nem saíram do papel e temos no próximo ano, diversas obras necessárias para as Olimpíadas Rio 2016.

 

Quando à desorganização do Estado, mais de 80% das cidades do país não se sustentam. Municípios geram menos de 20% da receita e têm situação fiscal crítica. A manchete de O GLOBO fala em “Cidades a beira da falência”.

 

Outro grande problema brasileiro é a alta taxa de impostos. O país é campeão na taxação de serviços e bens de consumo.

 

Ai criam-se sites como o IMPOSTÔMETRO e agora, mais recentemente, surgiu um novo: SONEGÔMETRO.

 

Altas taxas de juros forçam a uma alta na sonegação e o país acaba recolhendo menos, apesar de sacrificando a população e a produção industrial.

 

Todos os males se passam pela falta de investimentos, tem uma causa só que atua diretamente no futuro (ou falta dele): a educação.

 

O Brasil ficou entre os oito melhores do mundo no futebol e ficou triste. Mas é o 85º em educação e não há tristeza, disse o Senador Cristóvam Buarque.

 

Mas veja no gráfico abaixo que interessante, comparando-se a tragédia educacional nos Estados com seu PIB. Aonde temos mais analfabetos, menor o PIB e o inverso, São Paulo, por exemplo, está lá.

 

 

 

 Os jornais de 2011 já alertavam: “Mais da metade dos alunos não sabe resolver operações matemáticas básicas”. Prova aplicada no ensino fundamental mostra também diferenças regionais. Em leitura, 43,9% dos alunos do 3º ano do ensino fundamental não são capazes de encontrar informações em um texto escrito.

 

Aí, nos jornais de agora lemos que o Brasil fica em 60º lugar em ranking mundial da educação.

 

Países asiáticos (alunos mais disciplinados) lideram um ranking mundial de qualidade da educação divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O primeiro lugar foi ocupado por Cingapura, seguida de Hong Kong (região administrativa especial da China) e Coréia do Sul.

 

Entre os 76 países avaliados , o Brasil ficou na parte baixa da tabela, ocupando a 60ª posição, próximo de nações africanas.  A última colocação ficou com Gana, na África. Foram avaliados o Brasil e outros 75 países como já dito.

 

Aquela charge da inversão de valores entre 1969 (regime militar) e 2009, bem ilustra um pouco estas mudanças.

 

 

 

 

Outro problema abordado pelo General Bergo foi a lentidão da justiça. Em 30 anos, processos no Supremo sobem 647%. Justiça lotada, direito mais longe.

 

É claro que o leitor a esta altura vai se perguntar: Impostos altos, saúde e educação em crise, para onde está indo então o dinheiro???

 

 

 

 

Um levantamento mostrou que um preso custa R$ 1.581,00 e um aluno, R$ 173,00 por mês ao Estado. No Brasil, o custo mensal do preso é três vezes maior do que a manutenção de um aluno na escola pública do ensino fundamental.

 

Quer ver outro buraco por aonde vai nosso dinheiro? Brasil faz 18 novas leis por dia, e a maioria vai para o lixo. Legislação inconstitucional ou inócua ajuda a emperrar a justiça.

 

Normas tributárias em vigor equivalem a livro de 112 milhões de páginas. E isso num país cheio de analfabetos...

 

 

 

 

 

 

 

É claro que também falou da corrupção, afinal, ela desviou R$ 67 bi dos cofres públicos em 8 anos. E de cada R$ 100 roubados, governo federal só recupera R$ 2,34.

 

O Brasil é classificado pela World Justice Project como um dos gigantes da corrupção...

 

Os escândalos se sucedem por e de toda parte, nas manchetes de jornais:

 

  • Prefeitos tem evolução de bens até acima do ouro
  • No Rio, 70% dos prefeitos são alvo de investigação
  • Prosperidade pessoal em meio à penúria geral
  • Políticos de cofres cheios
  • Das verbas desviadas, 70% são de Saúde e Educação
  • Dinheiro para escolas e hospitais vão parar nas mãos de prefeitos
  • Esquema montado por auditores permitiu sonegação de R$ 3 bi, diz PF

 

E assim, mais uma vez através de charges, o povo conta a sua história...

 

 

 

 

 

E citou o poema “Tenho vergonha de mim” de Rui Barbosa.

 

... E ter de entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento das verdades, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o ‘eu’ feliz a qualquer custo, buscando a tal ‘felicidade’ em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo...

 

... Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

 

... De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

 

 

 

Então o palestrante começou a enumerar uma lista das coisas que não queremos para o Brasil.

 

Listou também os indicadores que mais queremos, iniciando pelos valores nacionais, éticos, morais e comportamentais.

 

Recomendou aplicar metodologia de Planejamento Estratégico na formulação de um projeto nacional. Atuar nas raízes dos problemas e não dar tiros n’água...

 

Para modernizar e transformar tem de entender que:

 

- O que é imutável? As leis da natureza (a física, a química, a marcha do tempo, etc.) e a essência humana;  

 

- O que é imprevisível? As mudanças políticas e econômicas, as catástrofes, bem como de onde e quando surgirá um conflito;

 

- O que está mudando constantemente? As populações, as tecnologias, as obras humanas e as ideias, que evoluem ou involuem.

 

 

 

 

 

 

Para tanto, é mister:

 

- Aceitar e se adaptar ao imutável;

 

- Preparar-se para o imprevisível; e

 

- Atuar sobre o que pode ser mudado.

 

 

Conceituou e propões uma revolução no ensino abrangendo família, escola e sociedade.

 

“O foco da atividade educacional abrangerá não somente o conhecimento como, também, formar o cidadão, incutindo-lhe valores” (Bergo, 2008)

 

Os VALORES constituem a base do Patrimônio Histórico-Cultural de um povo. São herdados dos antepassados. São consolidados ao longo do tempo e definem o caráter do indivíduo.

 

São explicados na Teoria dos arquétipos (Jung).

 

Não são requisitos, mas compromissos, pois tratam de propósitos colimados pela instituição como primordiais a sua própria razão de ser e a sua própria essência.

 

PARA O HOMEM DE BOM CARÁTER,
NÃO PRECISA A LEI.

 

PARA O MAU CARÁTER,
NÃO ADIANTA A LEI!

 

Ainda falou na revolução judiciária, na política, fez um resumo nas tendências globais para 2030 e mostrou as novas ameaças e vulnerabilidades.

 

E mais manchetes: Metade da riqueza mundial pertence a 1% da população...

 

E terminou mostrando um mapa holandês do século XV onde terminava:

 

A NAÇÃO QUE
NÃO TRAÇAR SEUS
PRÓPRIOS RUMOS,
OS TERÁ
DITADOS POR OUTRA.

 

E ainda mostrou em belo trecho do Hino do Rio Grande do Sul:

 

“Mas não basta pra ser livre,
ser forte, aguerrido e bravo;
povo que não tem virtude,
acaba por ser escravo.”

 

 

 

Após os aplausos, respondeu a perguntas dos Oficiais e recebeu das mãos do Tenente Monteiro, O Diploma de Agradecimento de palestrante.

 


 

 

 


 

 

 

E partimos para o intervalo do café. 

 

 

 

 

 


 

Palestra 3: General Heleno


 

Ao final foram entregues Certificados de Agradecimento aos palestrantes e foi entoada a Canção do Exército.

 

 

A seguir, todos nos dirigimos para o salão contíguo (D. Pedro I) para um almoço de confraternização. 

 

 

 Veja também:

Palestra 1: General Montezano

 


 

Joomlashack