Dia do Oficial R/2

      O Exército Brasileiro comemora, em 4 de novembro, o Dia do Oficial da Reserva (R/2), instituído em reverência ao nascimento do Tenente-Coronel Luiz de Araújo Correia Lima, idealizador dos Órgãos de Formação de Oficiais da Reserva no país.

      Correia Lima, gaúcho de Porto Alegre, filho do General de Divisão Gonçalo Correia Lima e D. Ana Correia Lima, fez o ensino fundamental no Colégio Militar de Porto Alegre. Sentou praça no Exército, como soldado, em 26 de setembro de 1907, no extinto 17º Batalhão de Infantaria. Aprovado em concurso para a Escola Militar do Realengo, onde mais tarde veio a ser instrutor, foi cadete do Curso de Artilharia, destacando-se por sua dedicação aos estudos, inteligência e liderança. O término da 1ª Guerra Mundial motivou o jovem Ten Correia Lima a dedicar-se aos estudos doutrinários daquele conflito, quando vislumbrou a relevância da formação e  incorporação, às reservas mobilizáveis, de oficiais subalternos oriundos do meio universitário e aptos ao comando de pequenas frações de tropa. Promovido a Capitão, Correia Lima passou a expor suas ideias em conferências e artigos publicados em Revistas Militares, sugerindo o modo e os meios de como se poderia formar uma reserva voltada exclusivamente à formação de oficiais subalternos. Seus esforços foram recompensados quando o Exército Brasileiro criou, em 22 de abril de 1927, o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro (CPOR/RJ), organização militar pioneira do sistema de formação de oficiais da reserva no Brasil, sendo ele próprio o seu primeiro comandante e a sede inicial localizada em São Cristóvão, Rio de Janeiro, no quartel do então 1º Regimento de Artilharia Pesada Curta (1º RAPC), hoje 21º Grupo de Artilharia de Campanha (21º GAC). Correia Lima não viveu para testemunhar a importância de sua obra. Promovido a Major, por merecimento, comandava o 1° Grupo do 9° Regimento de Artilharia Montada, em Curitiba, quando irrompeu a Revolução de 1930. Seu quartel foi atacado de surpresa e Correia Lima morto pelas costas, no dia 5 de setembro de 1930. No mesmo ano, foi promovido a Tenente-Coronel, post-mortem, por bravura.

      A Segunda Guerra Mundial veio demonstrar o acerto dos ideais de Correia Lima. Dos 1070 oficiais subalternos da Força Expedicionária Brasileira, 433 eram oriundos da reserva. Quase a metade. Dos doze oficiais combatentes tombados no cumprimento do dever, meia dúzia eram da reserva. Exatamente a metade. O 1º Ten R/2 Convocado Apollo Miguel Rezk foi o único integrante da FEB agraciado pelo governo dos Estados Unidos com a Distinguished-Service Cross, “por extraordinário heroísmo em ação, comando inspirado e persistente coragem”. Recebeu, ainda, a comenda Silver-Star, americana, e quatro condecorações brasileiras, sendo considerado um dos maiores heróis entre os nossos combatentes da 2ª Guerra Mundial.

      Ao longo do tempo, o Sistema OFOR evoluiu com a criação de diversos CPOR e de Núcleos de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR) por todo o território nacional, a fim de atender às especificidades das diversas armas, quadros e serviços. A formação do Oficial R/2 advém de processo meticulosamente planejado para instruir e incutir nos alunos, em um curto período de tempo, valores morais e profissionais da vida castrense. Originalmente instituída com duração de três anos, a formação de oficiais R/2 foi reestruturada para dois anos em 1942, perdurando desta forma até 1966, quando foi reformulada e passou a ser realizada em um único ano de formação. Devido a crescentes demandas na área administrativa, profissionais especializados por entidades civis de nível superior, voltados para diversas áreas de interesse da Força, têm sido incorporados ao Exército por meio do estágio de Serviço Técnico para formação do Oficial Técnico Temporário (OTT), à semelhança dos Oficiais R/2 médicos, farmacêuticos, dentistas, veterinários e enfermeiros, que também prestam fundamental apoio à saúde e ao bem estar dos militares e de suas famílias, inclusive em regiões inóspitas. 

    A Força Terrestre, em seu atual processo de transformação, busca a formação ideal e o melhor aproveitamento desses militares, de importância fundamental na estrutura orgânica do Exército. Assim, cabe ao Oficial R/2 papel relevante como integrante da Instituição, quer pelas atividades militares que desempenham quando na ativa, quer pelo papel de formador de opinião e multiplicador dos valores cultuados na caserna, quando do retorno à vida civil. Além de integrar a reserva mobilizável, o oficial R/2, em geral, ocupa posição relevante na sociedade brasileira, onde exerce reconhecida liderança. Nesta data tão importante, o Exército Brasileiro enaltece e agradece aos Oficiais R/2, de ontem, de hoje e de sempre, pela dedicação, lealdade e amor à Instituição e ao Brasil, concitando-os a manter, preservar e difundir os princípios, valores e atributos adquiridos na vida militar e a seguir os exemplos do seu Patrono, o Tenente-Coronel Luiz de Araújo Correia Lima.

                                            Parabéns a todos os Oficiais R/2!

 

Joomlashack