Ao final de suas palavras o Tenente Monteiro, em momento de intensa emoção para todos os participantes, registrou a presença no auditório de um dos 433 oficiais R/2 que há setenta anos venceu os alemães nos campos de batalha da Itália.

 

 

O Tenente R/2 Israel Rosenthal, herói da FEB, de 94 anos, foi ovacionado por todos os presentes e abraçado pelo Tenente Monteiro.

 

Em seguida, o presidente do CNOR convidou o General Villas Bôas a proferir sua palestra.

 

 

O Comandante do Exército então dirigiu-se ao local onde se encontrava o Ten Rosenthal e, após cumprimentá-lo com uma continência, deu início à palestra expressando a sua satisfação de estar entre os oficiais da reserva e ressaltando o reconhecimento da Força Terrestre à importância do trabalho que o tenente Monteiro e seus companheiros vêm realizando.

  

Como eu disse, após a saudação do Tenente Monteiro, Presidente do Sistema CNOR (do qual sou o 2º Vice-Presidente), o General Villas Bôas foi convidado a ministrar sua palestra.

Muito simpático e querido de toda a Oficialidade R/2 ali presente, desde quando, como General de Brigada, era o Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia quando ocorreu lá o nosso ENOREX (Encontro Nacional de Oficiais da Reserva do Exército) em 2004.

É claro que seu apoio foi fundamental para o sucesso daquele evento e ele, General, jamais poderia imaginar que depois, já no último posto da hierarquia militar, voltaria a Manaus como seu Comandante de Área.

Não perdemos contato. Ele veio para o Rio de Janeiro comandar a EsAO (Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, a Casa do Capitão) e em 2007, quando o ENOREX foi aqui nesta cidade, claro que programamos uma visita àquela tradicional Escola e até lembro que ao final da palestra do General Villas Bôas, todos queriam tirar fotos a seu lado, numa verdadeira “tietagem”...

Sempre foi, além de Chefe, um grande Lider.

No jantar de encerramento daquele ENOREX, foi agraciado por nós com a Medalha Esquadrão Tenente Vaz, por relevantes serviços prestados aos OFOR (Órgãos de Formação da Reserva).

Em 31 de março de 2008, ascendeu ao posto de General de Divisão e foi designado para trabalhar no Estado-Maior do Exército (EME), onde assumiu as funções de 3º Subchefe (doutrina), 7º Subchefe (planejamento estratégico), chefe da Assessoria Especial de Gestão e Projetos e, finalmente, Vice-Chefe.

Atingiu o posto máximo da carreira, em 31 de julho de 2011, quando foi promovido a General de Exército.

No período de agosto de 2011 a abril de 2014 exerceu a função de Comandante Militar da Amazônia, onde, perdemos um pouco o contato por falta de oportunidade.

Após o CMA nomeado Comandante de Operações Terrestres, entre 8 de abril de 2014 e 15 de janeiro de 2015. Em nossa Reunião de Diretoria do Sistema do CNOR que ocorreu no Quartel General do Exército em Brasília, foi programada uma visita ao COTER, onde fomos magnificamente recebidos pelo General de Divisão Eduardo José Barbosa, seu Subcomandnte, pois ele estava em visita ao Rio de Janeiro.

Em 7 de janeiro de 2015, foi escolhido como Comandante do Exército Brasileiro e em 5 de fevereiro de 2015 recebeu, oficialmente, o cargo do General de Exército Enzo Martins Peri, também possuidor da nossa Medalha do Esquadrão Tenente Vaz.

Como orgulhosamente costumamos dizer, continuamos entre amigos.

É claro que, pela importância do cargo, não iríamos gravar e mesmo, comentar frases soltas, fora de contexto, sempre poderiam ser mal interpretadas.

Começou brincando para descontrair, com o General Heleno ali presente, a quem se referiu com grande físico e matemático (o General Heleno foi Comandante Militar da Amazônia e posteriormente, Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército), que havia descoberto a fórmula para entendermos as mulheres... Tirou risos da plateia ao mostrar na tela um quadro negro repleto de fórmulas... Depois confessou brincando que tem de aproveitar que a esposa não estava presente, D. Cida, que sempre o acompanha nos eventos, para essas piadas...

 

Falou da missão constitucional do Exército. Da importância de manter os antigos valores éticos e morais, hoje muito esquecidos...

Falou das missões subsidiárias, como Garantia da Lei e da Ordem, lembrou da atuação das Forças Armadas no Alemão, hoje na maré e falou também do Haiti, onde em todas, o rodízio de tropas de todas as regiões do país, mostram que o nível de adestramento é excelente.

Mostrou um mapa do Brasil onde a gigantesca Amazônia, ressaltada, parece um gigante país dentro do nosso gigante país.

Falou da importância da dissuasão como Forças Armadas à altura da importância e missão de nossa terra.

 

Como somos um país pacífico e nossa vizinhança é tranquila, o segmento civil da sociedade tem dificuldade em entender a necessidade de termos exércitos fortes em condição de dissuadir prováveis invasores... Lembrou que no século 19, a China, um gigante país em extensão territorial, foi invadida e repartida por cinco nações, quatro ocidentais mais o Japão... Por isso é sempre importante estudarmos História.

 

 

Hoje esta mesma China tem satélites e nós não, o que deixa vulnerável muitas das Estratégias Nacional de Defesa como o SISFRON, importantíssimo para gerenciamento de nossas extensas fronteiras terrestres.

Não poderia deixar de falar de Amazônia e contou interessantes passagens sobre os índios soldados.

Terminou falando da modernização do Exército para atender aos novos tempos:

  • Adaptação: adequar as estruturas existentes para continuar cumprindo as tarefas previstas;
  • Modernização: otimizar as suas capacidades para cumprir da melhor maneira as missões previstas; e
  • Transformação: desenvolver novas capacidades para cumprir novas missões ou desempenhar novas funções em combate.

Citou o imortal Austregésilo de Athayde: A guerra não é um objetivo, mas uma circunstância que não pode apanhar um povo desprevenido!

 

 

É claro que falou muito mais do que isto, mas, como eu disse, foram palavras dirigidas a um público seleto e Oficiais da Reserva das três Forças, já inteirados e acostumados com o assunto.

Ao término da palestra, muito aplaudido, o General Villas Bôas respondeu a várias perguntas da plateia. A última foi feita pelo presidente do CNOR que indagou ao comandante “o que o Exército espera da oficialidade R/2”, ao que o general, sorrindo, respondeu: “Vou pagar missão a você”, quando foi novamente muito aplaudido.

 

 

Ao final, o Tenente Monteiro fez o agradecimento de praxe, exaltando o prestígio que a presença do Comandante do Exército – que deixou seus afazeres em Brasília para vir ao Rio de Janeiro,  proporcionou ao nosso CAOR. 

 

 

 


 

Joomlashack