O UH-60L Black Hawk volta a integrar a aviação do Exército Português depois de 11 anos sem capacidade própria de asa rotativa e chega armado. A NATO Support and Procurement Agency (NSPA) assinou em 2 de julho, contrato de € 50 milhões com a norte-americana Sahar Group para três aeronaves com opção para uma quarta.
Aviação do Exército volta após 11 anos
A Unidade de Aviação Ligeira do Exército foi extinta em 2015, sem nunca atingir capacidade operacional plena. Planos anteriores cogitavam o Eurocopter EC635, hoje H135M, e o NH90, nenhum saiu do papel. O programa Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (HAPE) nasceu ainda em 2019, sob responsabilidade da Força Aérea com orçamento de € 53 milhões para cinco helicópteros ligeiros.
Chegou a se falar no AW119 Koala blindado. A revisão da Lei de Programação Militar, em 2023 mudou a rota, o programa passou ao Exército, o orçamento caiu para € 50 milhões e o escopo se fixou em três aeronaves.
Sahar Group vence disputa por € 50 milhões
A licitação, conduzida pela NSPA entre fevereiro de 2025 e março deste ano, reuniu três concorrentes: Acehawk Aerospace, Ace Aeronautics e a vencedora, Sahar Group. As células do UH-60L vêm de estoques do US Army e passam por recondicionamento completo na Flórida antes do embarque.
Uma verba de € 40,8 milhões, aprovada em 2024, sustenta a operação. As entregas começam no fim de 2026 e seguem até meados de 2028, com destino à Base Aérea N.º 3, em Tancos, distrito de Santarém, atualmente em obras de adequação para receber a nova unidade.
EGMS arma o Black Hawk para combate
Aqui está o dado que nenhum concorrente nacional publicou até agora. O External Gun Mount System permite instalar duas metralhadoras FN M3M e dois lançadores de foguete de 70 mm em cada aeronave. Curiosamente, o mesmo helicóptero pensado para evacuação médica sai de fábrica pronto para apoio de fogo em operações especiais.
Todas as unidades recebem ainda kit FRIES, sistema de corda rápida para infiltração e extração de tropas em terreno onde pouso é impossível.
Missões vão de resgate a incêndio
Já o pacote civil inclui baldes Bambi de 2.000 e 2.950 litros, voltados a combate a incêndios florestais, prioridade nacional em época de seca. Transporte tático, MEDEVAC, apoio a forças especiais, busca e salvamento e resposta a desastres completam a lista de missões.
A escolha aproxima o Exército da Força Aérea Portuguesa, que já opera nove UH-60 (seis UH-60A e três UH-60L) financiados majoritariamente pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

Representantes do Exército Português e da Sahar Group na cerimônia de assinatura em Miami Foto Divulgação
Pilotos treinam cinco meses na Espanha
Antes de tocar em um Black Hawk, as tripulações passaram por cinco meses de requalificação nas instalações da Coptering Spain, com simulador e voo real no Eurocopter AS355N. O investimento em treinamento reforça a leitura de que o programa não trata apenas de comprar máquinas, mas de reconstruir uma unidade inteira do zero.
Aeronaves e valores do contrato inicial:
- 3 UH-60L Black Hawk – € 50.000.000
- Opção de 4ª unidade – valor a definir
A longo prazo, o Exército sinaliza ambição de elevar a frota a até 12 aeronaves, embora esse número siga como meta e não como contrato firmado. Por ora, os três primeiros UH-60L bastam para devolver a Portugal algo que faltava desde 2015, um Exército capaz de voar com meios próprios.
