O caça biposto já saiu do solo; agora começam os ensaios que vão preparar sua chegada à FAB, 40 minutos no ar bastaram para colocar o primeiro Gripen F brasileiro na etapa que realmente define seu caminho até a Força Aérea Brasileira. Agora, a aeronave começa uma campanha de testes para validar sistemas e desempenho antes dos procedimentos de aceitação.
O que o primeiro voo do Gripen F brasileiro confirmou
O primeiro voo do Gripen F brasileiro ocorreu em 28 de agosto, em Linköping, na Suécia, e durou cerca de 40 minutos. O teste verificou o funcionamento dos sistemas centrais e o desempenho inicial do caça.
A Saab colocou dois pilotos no voo. Jakob Högberg comandou a aeronave, acompanhado pelo tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da FAB.
Na prática, esse voo funciona como a primeira checagem em condições reais. A aeronave agora pode avançar para ensaios mais amplos, enquanto a equipe avalia diferentes sistemas e comportamentos previstos no programa.
O próximo estágio interessa tanto quanto a decolagem, os testes precisam terminar antes da aceitação e da preparação para entrega à FAB.

Piloto da FAB participou da estreia
A presença brasileira no cockpit dá um peso operacional ao teste. O piloto da FAB acompanha uma etapa que precisa aproximar o comportamento do avião das exigências reais de quem vai empregá-lo.
Confira o vídeo no x oficial Sangue Verde-Oliva:
Gripen F brasileiro voou por 40 minutos na Suécia e iniciou a campanha de testes antes da aceitação e futura entrega à FAB. pic.twitter.com/N2aDXxAiyl
— Sangue Verde-Oliva (@sangueverdeofc) August 29, 2026
Por que o segundo cockpit muda o papel do caça
O segundo cockpit amplia a utilidade do Gripen F brasileiro porque permite treinar pilotos na própria plataforma que eles encontrarão no Gripen E. A configuração ainda pode dividir tarefas durante missões mais complexas.
Imagine a diferença entre aprender a dirigir apenas em um simulador e treinar no mesmo carro usado no trabalho. O conceito segue essa lógica: instrutor e piloto podem compartilhar a cabine e os procedimentos.
A versão biposta foi desenvolvida pela Saab em parceria com a indústria brasileira. A participação nacional envolve atividades de engenharia, produção e outras áreas do programa.
O detalhe menos óbvio está no uso operacional. O segundo tripulante pode ajudar no gerenciamento de sensores, sistemas de missão e armamentos, reduzindo a carga de trabalho do piloto em determinados cenários.
Essa função ajuda a explicar por que o caça de dois lugares interessa à FAB para além da formação.

O que falta antes da chegada à FAB
O Gripen F brasileiro ainda precisa cumprir a campanha prevista de ensaios e passar pelos procedimentos de aceitação antes da entrega. A Saab não informou, no comunicado do primeiro voo, uma data específica para a chegada da aeronave ao Brasil.
O programa, porém, ganhou outro movimento recente. Em julho de 2026, Saab e Embraer assinaram um acordo-base para uma possível produção de 20 Gripen adicionais no complexo de Gavião Peixoto, em São Paulo.
Esse cenário coloca o primeiro voo do Gripen F dentro de uma relação industrial maior entre Brasil e Suécia. A próxima referência concreta será a conclusão dos testes e a aceitação da aeronave.
