O porta-aviões USS Ford chegou ao Norfolk Naval Shipyard em 7 de julho para sua primeira manutenção programada num estaleiro naval. O episódio fecha um ciclo de 326 dias no mar e boa parte deles em combate real.
O navio de US$ 13,3 bilhões é o mais caro já construído pelos Estados Unidos, também leva para reparo as marcas de um incêndio que durou mais de 30 horas e intoxicou cerca de 200 tripulantes.
Estaleiro recebe o Ford pela 1ª vez
A Planned Incremental Availability, ou PIA reúne inspeções, reparos e atualizações que preparam o porta-aviões para as próximas missões. O USS Gerald R. Ford já havia passado por manutenção em 2021, mas na Newport News Shipbuilding, estaleiro privado que também o construiu.
Em Norfolk, a equipe já adiantou parte do trabalho enquanto o navio ainda estava na base, testes iniciais e revisão do defletor de jato, entre outros itens.
Incêndio de 30 horas marca a chegada
O reparo mais sensível não estava na ficha original de manutenção. Em 12 de março, um incêndio começou na lavanderia de popa do porta-aviões, no Mar Vermelho, durante a Operação Epic Fury contra o Irã. As chamas se espalharam pelo sistema de ventilação e levaram mais de 30 horas para serem controladas.
Três tripulantes ficaram feridos e cerca de 200 precisaram de atendimento por inalação de fumaça. Depois disso, o CVN-78 seguiu para Split, na Croácia, onde passou por reparos estruturais entre 28 de março e 2 de abril.
Da Venezuela ao Irã em 326 dias
O deployment começou em 24 de junho de 2025 e só terminou em 16 de maio de 2026, o mais longo desde o Vietnã. Nesse intervalo, a embarcação apoiou a captura de Maduro, em 3 de janeiro. Semanas depois, seguiu para o Mediterrâneo oriental onde operou ao lado do USS Abraham Lincoln (CVN-72) na Operação Epic Fury, lançada em 28 de fevereiro.
O Lincoln atuou a partir do Mar Arábico, ao sul do Irã. A primeira vez que dois grupos de ataque de porta-aviões americanos operaram juntos na região desde 2003.

Porta-aviões USS Ford chega a Norfolk para sua primeira manutenção em estaleiro naval | Foto: Divulgação/US Navy
Navio mais caro da história dos EUA
Avaliado em US$ 13,3 bilhões, o USS Ford é a arma naval mais cara já construída. O valor sustenta dois reatores A1B, 25% mais potentes que os da classe Nimitz, com autonomia de até 25 anos sem reabastecer.
Curiosamente, mesmo com esse investimento em propulsão, foi um incêndio numa lavanderia, sistema simples, sem relação com o reator que gerou a emergência mais grave do deployment.
Reparo mira conclusão antecipada
O estaleiro de Norfolk aposta em repetir o desempenho de outras classes. O USS Dwight D. Eisenhower concluiu sua PIA antes do prazo em abril, e o USS George H.W. Bush fez o mesmo em novembro de 2024.
Segundo o contra-almirante Kavon Hakimzadeh, comandante do NNSY, o Ford está posicionado para se tornar a terceira manutenção seguida finalizada antes da data prevista, apoiada no modelo Focus and Finish que reduz interrupções no cronograma.
O retorno à frota não tem data oficial, mas o histórico recente do estaleiro favorece um prazo enxuto. Para a Marinha americana, devolver o porta-aviões USS Ford operacional significa manter dois eixos de projeção de poder simultâneos, Atlântico e Mediterrâneo com o Irã ainda como ponto de tensão.
