O jato de treinamento T-7A da Força Aérea dos Estados Unidos tem a decisão de produção em ritmo pleno adiada em dois anos, de janeiro de 2027 para janeiro de 2029. É o que revela um relatório do Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do Congresso americano.
O documento também aponta que o Red Hawk, batizado para substituir o veterano T-38 Talon, ainda não pode voar sob chuva forte por falha de vedação em painéis externos.
Testes se estendem até 2029, mas produção já roda
Segundo o GAO, a maior parte dos testes de desenvolvimento só termina em abril de 2028. Algumas avaliações complementares vão até maio de 2029.
Mesmo assim, a Força Aérea decidiu manter a produção em andamento antes da conclusão de todos os ensaios, estratégia que o próprio relatório classifica como arriscada, já que pode exigir modificações em aeronaves já fabricadas, elevando custo e complexidade logística.
Outro ponto sensível, dois testes críticos de segurança cibernética do T-7A só serão realizados depois da autorização da produção. A prática contraria o padrão normalmente adotado pelo Departamento de Defesa para reduzir riscos em programas desse porte.

Jato Boeing T-7A Red Hawk voando durante testes da Força Aérea
Falha de vedação trava voo em chuva
Documentos vistos pela Breaking Defense mostram que alguns painéis externos do T-7A não vedam corretamente, deixando água entrar nos sistemas internos. Durante testes climáticos na base de Eglin, na Flórida, engenheiros precisaram vedar partes da estrutura com fita para conter o problema.
A Força Aérea aceitou o jato de treinamento mesmo assim, com restrição de voo em chuva para não atrasar ainda mais a certificação dos primeiros instrutores.
O simulador terrestre GBTS também preocupa. Avaliações internas classificaram o sistema como de “confiança moderada”, com aprovação abaixo de 30% em testes centrais. Há ainda o chamado wing rock, oscilação de rolagem que aparece em manobras de ângulo de ataque elevado, mais um item pendente de solução plena.
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Orçamento de 2027 dispara em meio aos atrasos
Apesar do cronograma estendido, a proposta orçamentária de 2027 reserva US$ 529,464 milhões para 23 unidades do T-7A. Em 2026, foram 14 aeronaves por US$ 362 milhões, alta de 64% no volume anual de produção.
O custo por unidade cai de US$ 25,9 milhões para US$ 23 milhões, reflexo da escala maior. O contrato de US$ 219 milhões assinado em abril, após aprovação do Milestone C cobre as primeiras 14 aeronaves de série, dentro de um programa de US$ 9,2 bilhões para 351 jatos e 46 simuladores, firmado com Boeing e Saab em 2018.

Testes no Texas revelam indisponibilidade de aeronaves devido a manutenções não previstas no projeto inicial | Foto: Divulgaçã
USAF qualifica pilotos e mira exportação, incluindo o Brasil
Em 4 de junho, dois oficiais do 99º Esquadrão de Treinamento de Voo se tornaram os primeiros pilotos da própria Força Aérea qualificados a operar o Red Hawk sem instrutores da Boeing a bordo, marco que dá independência operacional ao esquadrão.
A próxima entrega de aeronave está marcada para agosto. Fora dos EUA, a Boeing já ofereceu o T-7 à Força Aérea Brasileira, além de negociar com Sérvia e Austrália, projetando vender mais de 2.700 unidades do Red Hawk pelo mundo, concorrendo com o M-346 da Leonardo e o T-50 sul-coreano.
Enquanto o T-38 Talon segue voando desde 1961, a Força Aérea dos EUA aposta que corrigir as falhas em paralelo à produção sai mais barato do que esperar a maturidade plena do T-7A. O calendário de 2029, porém, mostra que essa aposta ainda tem um preço alto a pagar.
