Jato T-7A Red Hawk acumula US$ 1 bilhão em custos extras e Força Aérea dos EUA adia produção para 2029

Com testes prorrogados até 2028, substituto desenhado para pilotos de caças F-35 frustra promessa de agilidade da engenharia digital



Jato T-7A Red Hawk acumula US$ 1 bilhão em custos extras e Força Aérea dos EUA adia produção para 2029

Jato de treinamento T-7A Red Hawk promete revolucionar o ensino, mas falhas de software adiaram cronograma | Foto: Divulgação

O jato de treinamento T-7A da Força Aérea dos Estados Unidos tem a decisão de produção em ritmo pleno adiada em dois anos, de janeiro de 2027 para janeiro de 2029. É o que revela um relatório do Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do Congresso americano.

O documento também aponta que o Red Hawk, batizado para substituir o veterano T-38 Talon, ainda não pode voar sob chuva forte por falha de vedação em painéis externos.

Testes se estendem até 2029, mas produção já roda

Segundo o GAO, a maior parte dos testes de desenvolvimento só termina em abril de 2028. Algumas avaliações complementares vão até maio de 2029.

Mesmo assim, a Força Aérea decidiu manter a produção em andamento antes da conclusão de todos os ensaios, estratégia que o próprio relatório classifica como arriscada, já que pode exigir modificações em aeronaves já fabricadas, elevando custo e complexidade logística.

Outro ponto sensível, dois testes críticos de segurança cibernética do T-7A só serão realizados depois da autorização da produção. A prática contraria o padrão normalmente adotado pelo Departamento de Defesa para reduzir riscos em programas desse porte.

Jato Boeing 7A Red Hawk voo

Jato Boeing T-7A Red Hawk voando durante testes da Força Aérea

Falha de vedação trava voo em chuva

Documentos vistos pela Breaking Defense mostram que alguns painéis externos do T-7A não vedam corretamente, deixando água entrar nos sistemas internos. Durante testes climáticos na base de Eglin, na Flórida, engenheiros precisaram vedar partes da estrutura com fita para conter o problema.

A Força Aérea aceitou o jato de treinamento mesmo assim, com restrição de voo em chuva para não atrasar ainda mais a certificação dos primeiros instrutores.

O simulador terrestre GBTS também preocupa. Avaliações internas classificaram o sistema como de “confiança moderada”, com aprovação abaixo de 30% em testes centrais. Há ainda o chamado wing rock, oscilação de rolagem que aparece em manobras de ângulo de ataque elevado, mais um item pendente de solução plena.

Orçamento de 2027 dispara em meio aos atrasos

Apesar do cronograma estendido, a proposta orçamentária de 2027 reserva US$ 529,464 milhões para 23 unidades do T-7A. Em 2026, foram 14 aeronaves por US$ 362 milhões, alta de 64% no volume anual de produção.

O custo por unidade cai de US$ 25,9 milhões para US$ 23 milhões, reflexo da escala maior. O contrato de US$ 219 milhões assinado em abril, após aprovação do Milestone C cobre as primeiras 14 aeronaves de série, dentro de um programa de US$ 9,2 bilhões para 351 jatos e 46 simuladores, firmado com Boeing e Saab em 2018.

7A Red Hawk

Testes no Texas revelam indisponibilidade de aeronaves devido a manutenções não previstas no projeto inicial | Foto: Divulgaçã

USAF qualifica pilotos e mira exportação, incluindo o Brasil

Em 4 de junho, dois oficiais do 99º Esquadrão de Treinamento de Voo se tornaram os primeiros pilotos da própria Força Aérea qualificados a operar o Red Hawk sem instrutores da Boeing a bordo, marco que dá independência operacional ao esquadrão.

A próxima entrega de aeronave está marcada para agosto. Fora dos EUA, a Boeing já ofereceu o T-7 à Força Aérea Brasileira, além de negociar com Sérvia e Austrália, projetando vender mais de 2.700 unidades do Red Hawk pelo mundo, concorrendo com o M-346 da Leonardo e o T-50 sul-coreano.

Enquanto o T-38 Talon segue voando desde 1961, a Força Aérea dos EUA aposta que corrigir as falhas em paralelo à produção sai mais barato do que esperar a maturidade plena do T-7A. O calendário de 2029, porém, mostra que essa aposta ainda tem um preço alto a pagar.


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