A Comissão de Orçamento do Bundestag aprovou a compra de quatro fragatas MEKO A-200 DEU para a Marinha Alemã, mas o texto da resolução escondia um detalhe que nenhum comunicado oficial destacou de cara.
O preço por unidade subiu 70% frente à estimativa inicial da TKMS e chegou a € 1,57 bilhão por navio. Os € 6,3 bilhões liberados cobrem só o primeiro lote e vieram amarrados a exigências de transparência total sobre custos e prazos.
A aprovação chega duas semanas depois do fim do programa F126, cancelado em 24 de junho por atrasos e estouro de orçamento.
Berlim precisava de uma solução rápida para não ficar sem capacidade antissubmarino, e encontrou na MEKO A-200 DEU um projeto já testado, em serviço na África do Sul, na Argélia e no Egito, o que reduz risco técnico.
Só que a pressa teve preço. O F126 chegaria a custar € 18 bilhões se transferido para outro contratante. A opção pela TKMS trouxe velocidade, mas não trouxe a economia esperada quando o projeto foi orçado.
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Corte no lote inicial encarece cada fragata
O valor de € 6,3 bilhões cobre as quatro primeiras unidades, o equivalente a € 1,57 bilhão por fragata, 70% acima da estimativa que a TKMS apresentou quando o cálculo ainda previa oito navios de uma só vez.
A conta subiu por vários motivos. Reduzir o lote inicial de oito para quatro unidades encareceu cada fragata em mais de € 130 milhões. Lançadores verticais de longo alcance, fora da estimativa original, somam 15% ao custo total.
Reajustes de fornecedores explicam mais de € 100 milhões do aumento. Melhorias na defesa antidrones, pedidas pela própria Marinha Alemã, respondem por cerca de € 80 milhões.
Curiosamente, o mesmo projeto escolhido por ser mais barato e mais rápido que o F126 chegou ao Bundestag custando mais caro do que o prometido. Ainda assim, fica bem abaixo dos € 18 bilhões da alternativa descartada.
Aprovação vem com controle trimestral
A liberação da verba não veio sem amarras. O Ministério da Defesa alemão terá de informar a Comissão de Orçamento imediatamente sobre qualquer novo aumento de custo, exigência extra de contratados ou atraso no cronograma. Gastos adicionais só poderão ocorrer depois de nova aprovação parlamentar.
A resolução também pede que a TKMS priorize os subcontratados que perderam contrato com o fim do F126.
Já a possibilidade de produção paralela, caso a opção pelas quatro fragatas extras seja confirmada até o fim de 2026, ainda será avaliada pelo comitê.

TKMS já iniciou trabalhos preparatórios antes da aprovação final do contrato | Foto: Divulgação/TKMS
Especificações têm dado atualizado
A MEKO A-200 DEU, que vai receber a designação F128, terá 121 metros de comprimento, 16,4 metros de boca e calado de 4,4 metros, número revisado pela própria TKMS, que também atualizou o deslocamento em carga máxima para cerca de 3.950 toneladas.
A propulsão CODAG-WARP combina dois motores a diesel de 6 MW com uma turbina a gás de 20 MW ligada a um hidrojato central.
O conjunto leva a velocidade a mais de 29 nós e resulta em autonomia de 6.500 milhas náuticas a 16 nós, dado que nenhuma referência brasileira publicou até agora.
O armamento antissubmarino inclui sonar de casco, sonar rebocado e tubos para torpedos leves MU90, além de um helicóptero NH90 Sea Tiger embarcado. A tripulação básica soma 125 militares com espaço para outros 49 profissionais a bordo.
Entrega segue marcada para 2029
A primeira fragata segue prometida para dezembro de 2029, com uma nova unidade entregue a cada nove meses depois disso.
Da assinatura formal à entrega do primeiro navio, o cronograma soma pouco mais de quatro anos, quase metade do tempo que a Alemanha costuma levar para construir uma fragata desse porte.
