Reino Unido não vai receber novos caças F-35 até 2030, frota trava em 75 unidades e enfrenta falta de engenheiros



Reino Unido não vai receber novos caças F-35 até 2030, frota trava em 75 unidades e enfrenta falta de engenheiros

F-35B decola do porta-aviões HMS Queen Elizabeth durante operação da Royal Navy | Foto: Divulgação

O Reino Unido não vai receber novos caças F-35 antes do início da década de 2030. A confirmação veio de resposta parlamentar do Ministério da Defesa britânico, publicada em 9 de julho.

A pausa se soma a um problema pouco comentado, faltam 168 engenheiros especializados para sustentar a frota atual e formar cada um leva até quatro anos.

Meta de 138 caças vira memória

A ambição de comprar 138 F-35 ao longo da vida do programa já não orienta o planejamento britânico. Desde 2021, o governo trocou esse número por uma meta mais modesta, 74 aeronaves como base, com a 75ª esperada até o fim de 2033.

Até 12 de novembro de 2025, o Reino Unido tinha recebido 41 F-35, a maior parte do primeiro lote de 48 F-35B. Chegar aos 75 significa apenas mais 27 caças em quase uma década. Pouco, para quem sonhava com quase o dobro disso.

F-35A devolve papel nuclear ao país

Dos 27 caças que faltam, 12 serão F-35A, variante de decolagem convencional. Eles vão equipar o Reino Unido para a missão de aeronaves de dupla capacidade da OTAN, carregando as bombas nucleares americanas B61, algo que Londres não fazia desde que concentrou sua dissuasão nos submarinos com mísseis Trident.

Só que a data de chegada segue incerta. O próprio governo usa o verbo “espera” ao falar do início da década de 2030, deixando margem para o prazo esticar ainda mais.

Falta de engenheiros trava a frota

Um relatório do National Audit Office, retomado pelo Comitê de Contas Públicas britânico aponta déficit de 168 engenheiros de aeronaves e formar cada um leva de três a quatro anos, segundo o próprio Ministério da Defesa.

O programa também ficou mais caro do que o anunciado. A estimativa oficial soma £ 57 bilhões para as 138 aeronaves planejadas originalmente. Já o National Audit Office calcula £ 71 bilhões, ao incluir combustível, infraestrutura e pessoal com serviço da frota estendido até 2069.

Reino Unido não vai receber novos caças F-35 até 2030, frota trava em 75 unidades e enfrenta falta de engenheiros

Déficit de 168 engenheiros é apontado como principal gargalo da frota britânica | Foto: Divulgação

Disponibilidade ainda decepciona

Em 2024, a frota britânica de F-35 cumpriu cerca de metade da meta de prontidão do Ministério da Defesa. A escassez de peças de reposição piora o quadro, em junho de 2025, um F-35B ficou preso na Índia por semanas após uma pane mecânica, à espera de uma equipe de engenheiros britânicos.

Dinamarca e Noruega enfrentam atrasos parecidos; ambas cogitam emprestar aeronaves de outros operadores do programa para cobrir a lacuna. Já o Reino Unido aposta no Eurofighter Typhoon para segurar a peteca até lá, enquanto negocia com Itália e Japão o Global Combat Air Programme, o caça de sexta geração previsto para entrar em serviço entre 2035 e 2040.

Até lá, a frota atual de F-35B segue sozinha nas operações a partir dos porta-aviões HMS Queen Elizabeth e HMS Prince of Wales, sem reforço, mas também sem alternativa à vista.

A promessa de mais caças F-35 segue de pé, só que o calendário real depende menos de orçamento e mais de gente treinada para colocar as aeronaves no ar.


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