Os caças Saab F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira concluíram, em 11 de julho, a primeira operação internacional do programa fora do país. Seis unidades do Esquadrão Jaguar cumpriram duas semanas de missões no Chile e voltaram a Anápolis com um balanço oficial de 379 missões, 601 horas de voo e nenhum acidente registrado entre os seis países participantes.
Brasil desloca mais da metade da frota
O envio ao Chile marca o maior deslocamento internacional já feito pela FAB com o Gripen. Seis F-39E do 1º Grupo de Defesa Aérea, o Esquadrão Jaguar, sediado em Anápolis (GO), representam mais da metade da frota atualmente em operação no país.
Sete aeronaves chegaram a decolar rumo ao Chile, com escala técnica em Campo Grande (MS); uma delas permaneceu na base como reserva, e as outras seis seguiram até a Base Aérea de Cerro Moreno, em Antofagasta.
Dois KC-390 Millennium do 1º Grupo de Transporte de Tropa, o Esquadrão Zeus, deram apoio logístico à operação, levando cerca de 60 militares e quatro técnicos da Saab. Até esta edição, o F-39E só havia treinado dentro do território brasileiro. Sair do país com uma estrutura operacional completa era o teste que faltava.

Formação de F-39E sobre o Deserto do Atacama durante o Salitre 2026 | Foto: FAB
Seis países dividem o mesmo espaço aéreo
O Salitre é organizado pela Força Aérea do Chile desde 2004 e é considerado um dos principais exercícios aéreos multinacionais da América do Sul. A edição de 2026 reuniu mais de 1,5 mil militares e cerca de 60 aeronaves de Chile, Brasil, Argentina, Colômbia, Paraguai e Estados Unidos, entre 29 de junho e 11 de julho.
Ao lado do Gripen brasileiro, operaram F-16 e F-5 Tiger III chilenos, um E-3G de alerta aéreo antecipado, IA-63 Pampa III argentinos, A-29 Super Tucano colombianos e paraguaios, além de um MQ-9B Reaper americano em sua estreia no exercício. É um cenário bem mais denso do que qualquer treinamento que o Gripen já havia enfrentado em solo nacional diferentemente do CRUZEX, aqui a coalizão operou sob comando único, em formato mais próximo dos padrões da Otan.
Sensores do Gripen guiam decisões em voo
Nas missões de defesa aérea, coube aos F-39E proteger as demais aeronaves da coalizão contra ameaças simuladas. O caça cumpriu operações típicas de guerra convencional: escolta, varredura, patrulha aérea de combate, interdição, apoio aéreo aproximado, supressão de defesas antiaéreas e reabastecimento, tanto dentro do alcance visual (WVR) quanto além dele (BVR).
O radar de varredura eletrônica ativa (AESA) e o sensor infravermelho de busca e rastreio (IRST) sustentam essa capacidade. Segundo Peter Dölling, diretor-geral da Saab Brasil, a participação no Salitre “representa mais um passo na evolução do Programa Gripen no Brasil”.
Já o comandante do 1º GDA, tenente-coronel Vítor Cabral Bombonato, destaca que a fusão de dados dos sensores simplifica o processo decisório do piloto e permite compartilhar informações entre toda a esquadrilha em tempo real, vantagem tática difícil de replicar em caças de gerações anteriores, como o F-5M que o Gripen vem substituindo na FAB.

Caças brasileiros retornam a Anápolis após concluir a primeira operação internacional do Gripen | Foto: FAB
Balanço final comprova alta eficácia
O resultado divulgado pela Força Aérea do Chile ao fim do Salitre 2026 é o dado que nenhuma cobertura anterior sobre o exercício havia fechado: 379 missões cumpridas pela coalizão, 601 horas de voo e índice de execução de 91,5%, sem qualquer acidente entre os seis países. Mesmo operando a milhares de quilômetros de casa, pela primeira vez com estrutura completa fora do Brasil, o Esquadrão Jaguar não registrou nenhuma ocorrência que comprometesse a operação.
No retorno, os seis F-39E fizeram o trajeto entre Antofagasta e Anápolis em voo direto, sem reabastecimento, em aproximadamente 2h50min, outro indício da autonomia que a Saab já havia atribuído ao Gripen E em testes anteriores.
Programa Gripen ganha fôlego no Brasil
A validação chega em um momento de expansão da linha de produção. A Saab prepara a entrega da primeira aeronave montada em solo brasileiro, apresentada recentemente em cerimônia oficial em Gavião Peixoto (SP), fruto da transferência de tecnologia prevista no acordo com o governo brasileiro.
Para a fabricante sueca, cada nova etapa operacional do Gripen no país reforça o valor de uma parceria construída para durar décadas, com produção e manutenção cada vez mais nacionalizadas.
